domingo, 6 de janeiro de 2013

Tédio

Ir levando no caminho os amores perdidos
e os sonhos idos
e os fatais sinais do olvido.

Ir seguindo na dúvida das horas apagadas,
pensando que todas as coisas se tornaram amargas
para alongarmos mais a via dolorosa.

E sempre, sempre, sempre recordar a fragrância
das horas que passam sem dúvidas e sem ânsias
e que deixamos longe na estéril errância.


Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

2 comentários:

Lídia Borges disse...


O passado, um tempo que se expande inundando o presente sem que, no entanto, o absorva.

Pablo Neruda, uma boa escolha, sempre!

Um beijo

Delfim Peixoto disse...

Obrigado! Beijo.