quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Meu galope é em frente




Direis que não é poesia
e a
mim que importa?
Eu canto porque a voz nasce e tem de libertar-se.
E
grito porque respondo
às
lanças que me espetam
e aos
braços que me chamam,
E
porque, dia e noite, minhas mãos e meus olhos,
por estranhas telegrafias,
dos
cantos mais ignotos
e das
linhas perdidas
e dos
campos esquecidos
e dos
lagos remotos,
e dos
montes,
recebem longas
mensagens e comunicações:
para que grite e cante.
O meu grito e meu canto é a voz de milhões.
Por isso que me importa?
Eu canto e cantarei o que tiver a cantar
e
grito e gritarei o que tiver a gritar
e
falo e falarei o que tiver a falar.
Direis que não é poesia.
E a
mim que importa
se
eu estou aqui apenas para escancarar a porta
e
derrubar os muros?
E a
mim que importa
se
vós sois afinal o que hei-de ultrapassar
e
esmigalhar
em nome
de
todos os futuros?
Eu sigo e seguirei,
como um doido ou um anjo,
obstinado e heróico a caminho de nós
em palavras e acções
por todos os vendavais
e
temporais
e
multidões
nos cantos mais ignotos
e nas
linhas perdidas
e
nos campos esquecidos
e
nos lagos remotos
e
nos montes
-
por terra, mar e ar.
Direis que não é poesia
E a
mim que importa!
Convosco ou não, meu galope é em frente.
Pertenço a
outra raça, a outro mundo, a outra gente.
É andar, é andar!

Mário Dionísio

4 comentários:

Nilson Barcelli disse...

Canta, galopa em frente.
Porque as tuas palavras são poesia.
Gostei muito do teu poema, é magnífico.
Beijo, querida amiga Maria.

Lídia Borges disse...


Que nenhum grita possa arrefecer nas gargantas.

Um beijo

Delfim Peixoto disse...

Amei !
Sem dúvida, um galope decidido!

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Vou pedir um favor: quando eu criei este blogue coloquei todos os elementos como administradores e ao fazê-lo retirei o meu perfil sem querer, inadvertidamente. Será possivel algum de vós adicionar-me como participante do blogue e depois como admi nistrador?
Obrigado!
Abreijos

Delfim Peixoto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.