quinta-feira, 22 de março de 2012

Não passam mais


Em nome dos nossos braços
em nome das nossas mãos
em nome de quantos passos
deram os nossos irmãos.
Em nome das ferramentas
que nos magoaram os dedos
das torturas das tormentas
das sevícias dos degredos.
Em nome daquele nome
que herdámos dos nossos pais
em nome da sua fome
dizemos: não passam mais!

E em nome dos milénios
de prisão adicionada
em nome de tantos génios
com a voz amordaçada
em nome dos camponeses
com a terra confiscada
em nome dos Portugueses
com a carne estilhaçada
em nome daqueles nomes
escarrados nos tribunais
dizemos que há outros nomes
que não passam nunca mais!

Em nome do que nós temos
em nome do que nós fomos
revolução que fizemos
democracia que somos
em nome da unidade
linda flor da classe operária
em nome da liberdade
flor imensa e proletária
em nome desta vontade
de sermos todos iguais
vamos dizer a verdade
dizendo: não passam mais!

Em nome de quantos corpos
nossos filhos foram feitos.
Em nome de quantos mortos
vivem nos nossos direitos.
Em nome de quantos vivos
dão mais vida à nossa voz
não mais seremos cativos:
o trabalho somos nós.
Por isso tornos enxadas
canetas frezas dedais
são as nossas barricadas
que dizem: não passam mais!

E em nome das conquistas
vindas dos ventos de Abril
reforma agrária controlo
operário no meio fabril
empresas que são do estado
porque o seu dono é o povo
em nome de lado a lado
termos feito um país novo.
Em nome da nossa frente
e dos nossos ideais
diante de toda a gente
dizemos: não passam mais!

Em nome do que passámos
não deixaremos passar
o patrão que ultrapassámos
e que nos quer trespassar.
E por onde a gente passa
nós passamos a palavra:
Cada rua cada praça
é o chão que o povo lavra.
Passaremos adiante
com passo firme e seguro.
O passado é já bastante
vamos passar ao futuro.

(Ary dos Santos)
(O sangue das palavras)

8 comentários:

Lídia Borges disse...

Ary!... Tão presente, ainda.

Um beijo

Carlos Ramos disse...

Poema urgente, poema como base concreta de intervenção, poema cada vez mais urgente.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Um gosto ter conhecido este blogue.
Voltarei sempre que possível.
Saudações
Irene

poetaeusou . . . disse...

*
parabéns pela escolha.
,
Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia !
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituto proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado, não!
,
in-ary dos santos .
,
azuladas conchinhas,
deixo,
*

BlueShell disse...

Excelente escolha e muito apropriada aos tempos que vivemos...
Obrigada.
BJ

São disse...

Parabéns pela escolha e obrigada pela informação no meu espaço.

Boa semana desejo

Juro que sou um ser humano...e nem dos piores, rrss

ARFERLANDIA disse...

Não deixo um POEMA
Deixo um abraço
Pela afinidade,
Por aquilo que fazes,
Por aquilo que faço.

Gostei e retornarei.

ARFER

Sopro Vida Sem Margens disse...

NAO PUBLICAR:

Muito bom dia


Devido a faltas de respeito e a brincadeiras de mau tom,vou fechar o meu blogue e deixa-lo aberto so para convidados.

Sendo seguidora da Assiria, e também uma pessoa que julgo estar por bem, muito gostaria que me facultasse o seu e-mail para que a possa adicionar.

Poderá facultar-me esse dado num comentário ao meu blogue, antes de o encerrar.

bjos
Assiria