segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Soneto 13


Adoro esse teu ar quando me tocas.
Começas por ficar transfigurada
para, depois de unir as nossas bocas,
te tornares uma fera não domada.

Mordes-me o peito, os ombros, o pescoço.
As tuas coxas nas minhas mãos são abraço
tão forte e perigoso que não posso
responder a seguir pelo que faço.

Enlouqueço. Também sou uma fera
há dias sem comer, à tua espera
pra poder devorar-te e saciar-me.

A luta assim é própria de quem ama.
Se eu tiver de morrer, seja na cama
a vir-me nos teus braços e a passar-me.


Joaquim Pessoa
in Sonetos Eróticos & Irónicos & Sarcásticos & Satíricos
& de Amor & Desamor & de Bem e de Maldizer

2 comentários:

Lídia Borges disse...

Huummm!

Joaquim Pessoa põe esta sensualidade toda num poema que querendo ser erótico acaba sendo irónico e inocente.

Um beijo

Lídia Borges disse...

Voltei para agradecer as suas palavras no "Searas de Versos"

Um beijo