domingo, 23 de outubro de 2011

Saudade

Saudade - O que será... não sei... procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe - tão longe! - de minhas redes tranquilas.

Saudade... Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não... e me treme na boca seu tremor delicado...
Saudade...

Pablo Neruda, in "Crepusculário"

8 comentários:

Paula Barros disse...

O ser humano sempre lidando com este sentimento - saudade, sempre buscando explicações, sempre tentando aplacá-la.

beijo

DE-PROPOSITO disse...

A saudade faz 'doer'.
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Felicidades
Manuel

Helena Chiarello disse...

Zélia,
que ideia bacana!
Que lugar especial você criou aqui!
Adorei isso!
Beijo grande e meu sempre carinho!

Miguel de la T.P. disse...

Buenos dias pase a visitarte y fue todo un honor el quedarme en tu blog.
Tus letras hunden a fondo el sentimiento que expresan..

lujo de lujo es leerteee..!!
Desde Jaen un abrazo y feliz fin de semana

Lídia Borges disse...

Tenha a sensação de já ter comentado este poema realçando a beleza das imagens poéticas de Neruda: "uma mariposa de estranho e fino corpo", "palavra branca que se evade como um peixe".

Um beijo

Maria disse...

Muito obrigada pelos vossos comentários...

Sónia M. disse...

Gosto muito deste poema!

- Olhe vizinho para mim a saudade é uma flor, que eu rego todos os dias!

Tomei a liberdade de ficar por aqui!

Um abraço
Sónia

Ernesto disse...

Lindissimo o que me foi oferecido visitar. Vi aqui talento e muito bom gosto. Parabens