sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Nós calávamos


Saber é uma dor. E o soubemos:
cada dado saído de sua sombra
deu-nos padecimento necessário:
o rumor transformou-se nas verdades,
a porta escura foi cheia de luz,
e se retificaram essas dores.
A verdade foi a vida nessa morte.
Era pesado o saco do silêncio.

E ainda custava sangue levantá-lo:
eram tantas as pedras do passado.
Porém foi assim de valoroso o dia:
com uma faca de ouro abriu a sombra
e entrou a discussão como uma roda
rodando pela luz restituída
até ponto polar do território.

Agora as espigas que coroaram
a grandeza do sol e sua energia:
de novo o camarada respondeu
à interrogação do camarada.
Caminho, aquele, duramente errado
voltou, com a verdade a ser caminho.

Pablo Neruda

6 comentários:

Ives disse...

Olá, linda poesia Srta, ao errar o caminho, voltamos e acertamos! abraços

Lídia Borges disse...

Muito a propósito, este poema de Neruda.
Belíssimo, como só na linguagem dos grandes poetas.

L.B.

Milla Pereira disse...

Zélia, que lindo este blog tb! Vim conhecer e te seguir aqui, assim como no outro. Saudades, amiga, beijinhos

luiz gustavo disse...

nestas horas

( transcriação de poema sem título de Vladimir Maiakovski )



passa
da uma hora
deves ter adormecido

nesta noite de via láctea
em correntes de prata

não tenho pressa
para a cor
dá-la

um telegrama-relâmpago

( e incomodá-la ? )

tenho dito:

o barco encantado
se quebrou em nosso
cotidiano

agora estamos livres
nosso caso está
sepultado

para que se inquietar
com o horizonte ?

para (se) equilibrar
(d)as dores mútuas
dos (d)anos ?

eis o silêncio -

a noite
envolve o céu
em lauréis de estrelas

nestas horas - elevo-me -
e ouço: as épocas a história
o universo


www.escarceunario.blogspot.com

www.setecetaras.blogspot.com

BlueShell disse...

Gosto de vir ler tuas escolhas...essa foi uma das minhas preferidas. Obrigada.
BShell

Maria disse...

Muito obrigada pelos vossos comentários.
Foi uma homenagem a Pablo Neruda, no aniversário da sua morte.