sábado, 4 de dezembro de 2010

Resistir


Dobrar na boca o frio da espora
Calcar o passo sobre lume
Abrir o pão a golpes de machado
Soltar pelo flanco os cavalos do espanto
Fazer do corpo um barco e navegar a pedra
Regressar devagar ao corpo morno
Beber um outro vinho pisado por um astro
Possuir o fogo ruivo sob a própria casa
numa chama de flechas ao redor.



Joaquim Pessoa

1 comentário:

Luís Coelho disse...

Um poema forte com imagens duras, por vezes cruéis, mas com uma alma cheia de vida que tudo atura.