terça-feira, 2 de novembro de 2010

AGONIA


Agoniza o meu país
Em trajes de nevoeiro
E o que sobrou do Longe
Vem em passo de coveiro.

Agoniza o meu país
Na sua velha carcaça
E o povo acorre à rua
Para o ver morrer na praça.
Agoniza o meu país
Valha-nos o Desejado!
Mas o rei vem quase nu
É cadáver assustado.
Agoniza o meu país
Na melodia do vento
É noturna a agonia
Com acordes de lamento.

Agoniza a minha Terra
Língua de mar e de sal
E quanto mais agoniza
Mais lhe querem fazer mal.

Triste do meu país
À beira-mar plantado!
Parece que Deus te esqueceu
Pois só se vê o Diabo.

Ai rosto do meu país
Que triste andas de olhar!
Não olhos mais para o Tejo
Não te vejas naufragar.

4 comentários:

AC disse...

Já tinha lido o poema, que está cada vez mais actual. Infelizmente.
Quanto à qualidade da escrita, isso nem se discute. O talento de Ibel é enorme!!!

Abraço

Lídia Borges disse...

Esperemos ainda... Talvez seja cedo, para a morte de um país. Entretanto lavemos-lhe as chagas...

L.B.

Carla Diacov disse...

dói, mas é bem isso, não?


beijo.

Pedrasnuas disse...

ESSE POEMA LEMBRA-ME "TROVA DO VENTO QUE PASSA" DE MANUEL ALEGRE...MAS AQUI O PANORAMA É BEM ESCURO,DENSO E ARREPIANTE...
E AC TEM RAZÃO,O TALENTO CORRE-LHE NAS VEIAS.

UM BEIJO