quarta-feira, 10 de novembro de 2010

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As mãos fechadas no teu peito e o
vestido azul caído aos pés da cama.
(Teu corpo de mulher é belo nu
e ainda mais belo quando ama).

Os meus beijos são potros que te mordem
os seios e as coxas e os cabelos
para que os minutos todos nos acordem
e nunca mais possamos esquecê-los.

E penetrando em ti perdidamente
atravesso mil bosques pela estrada
que há dentro do teu sexo e lentamente

tu ficas nos meus braços espantada
como se o mundo fosse de repente
acabar em plena madrugada.


Joaquim Pessoa

sábado, 6 de novembro de 2010

Palpitações que sorriem dentro de mim!

O Outono grita pedaços de Inverno
dançam as nuvens em balbúrdia
no ventre do céu…

Pelos vidros escorem
gotas aconchegadas pelo vento,
o silêncio verte sussurros
num cântico vestido de branco.

A noite procura os vértices da madrugada
onde os corpos se vestem de palavras mudas!

Escorrega-me o pensamento
na ponta fina dos dedos,
balançam em mim metáforas
que se despem na contra luz das emoções!

Assobiam as folhas das árvores
a minha voz ausculta os sons
no fim da aurora,
os lábios vociferam acordes de silêncio,
palpitações que sorriem dentro de mim!


Ana Coelho

terça-feira, 2 de novembro de 2010

AGONIA


Agoniza o meu país
Em trajes de nevoeiro
E o que sobrou do Longe
Vem em passo de coveiro.

Agoniza o meu país
Na sua velha carcaça
E o povo acorre à rua
Para o ver morrer na praça.
Agoniza o meu país
Valha-nos o Desejado!
Mas o rei vem quase nu
É cadáver assustado.
Agoniza o meu país
Na melodia do vento
É noturna a agonia
Com acordes de lamento.

Agoniza a minha Terra
Língua de mar e de sal
E quanto mais agoniza
Mais lhe querem fazer mal.

Triste do meu país
À beira-mar plantado!
Parece que Deus te esqueceu
Pois só se vê o Diabo.

Ai rosto do meu país
Que triste andas de olhar!
Não olhos mais para o Tejo
Não te vejas naufragar.