domingo, 10 de outubro de 2010

Séculos de pigmentação

Este exímio levitar
que por mim vagueia
em séculos de pigmentação
pintados na alquimia
dos malabarismos
que o pensamento refaz
em reflexão
nos esboços da razão
pincelada com os olhos erguidos
para lá da ponta dos pés…

É um sono sem sonho
pela voz que escuto
por de trás da mudez,
pregas do espírito
na sonância bebida
no cálice disponível
há humanidade…

Conheço-me
desde o avesso
na transparência
de uma cristalina gota
que recebi do altar aromático
onde o teu pó repousa,
e eu ouso contar
nas entrelinhas
dos meus parcos pensamentos!

1 comentário:

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

E do avesso
retiro o reverso
que silencia
tudo o que não é verso
tudo o que a humanidade
veste com o sono
do seu sonho
que, em pensamentos de luar,
é o cálice que, imerso,
no espírito da razão
descobre as palavras
do pó que nos cobre
e nos descobre.