sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vento desértico

Recolho o teu rosto das gotas de chuva
uma tarde de chuviscos inesperados!
Nego a nuvem cinza
que se infiltra nos raios de sol.

Comungo da sede
a nudez das portas entreabertas
que bailam ao vento desértico,
molda os vidros estilhaçados
neste tecto sem chão!

Os pensamentos são o anverso
do agitado silêncio
que assobia nas cordas de um violino,
enigmas de ilusão
que invocam em vão
os cálices sussurrantes
de uma voz amortalhada!

Na tribuna do olhar
as gotículas escorrem
sem pressa com a transparência de um cristal,
contemplo com o tacto do silêncio
a alma que se enrola
num manto invisível
despido pela lua cheia…

Tento limpar os delitos
que se arrastam
nas vestes negras de uma Primavera
esquecida pelas sementes
do grande cultivador de sonhos.

Os meus olhos bebem
o ébrio crepúsculo deste destino
…o violino toca,
toca no altar
coberto de açucenas e jasmins
que nutrem a ilusão dos fragmentos que restam…

Ana Coelho

3 comentários:

Lídia Borges disse...

Um poema repleto de imagens belíssimas onde as paisagens interiores se confundem com a instabilidade do tempo num dialogismo perfeito.

Cumprimentos

L.B.

Lídia Borges disse...

Um poema repleto de imagens belíssimas onde as paisagens interiores se confundem com a instabilidade do tempo num dialogismo perfeito.

Cumprimentos

L.B.

DelfimPeixoto disse...

Poema cheio de ondas de vento em que as palavras transpirm a conversa em ideias sentidas no centro do ser
Belissimo
Obrigado!