terça-feira, 14 de setembro de 2010

Metamorfose

São tantas as ocasiões
que me pergunto,
que faço eu aqui?
Sem saber os traços definidos
de uma qualquer razão…

Talvez sejam os teus olhos
os freixos de orvalhos
vestidos de laços soltos na brisa
de uma coroa de lírios brancos…

Ou então as palavras trocadas
na penumbra do cântico de um bando
de rouxinóis com as penas
em ténues azul florais
despidos na claridade
dos finos raios de sol…

Saiu
caminho por outro trilho
…retomo
aos passos antigos
porque mesmo sem saber
tenho aqui a metamorfose ditosa
no vértice de cada desfolhada…

Assim largo as questões
aprisiono os verbos na calada dos versos
recolho todos os cristais
no regaço aprumado
em que as respostas se libertam
mesmo sem eu saber o porquê…

Ana Coelho

2 comentários:

Glória disse...

Não sou de fazer interpretações aprofundadas, sou muito simples para isso.
Mas, o poema deixou minha emoção à flor da pele.

Abraços
Glória

DelfimPeixoto disse...

Sempre bom ler-te
Abraço